Kardec e a Codificação

 

 

 

Perguntas e Respostas:

• Allan Kardec
• O Livro dos Médiuns.
• Mediunidade.
• Missão dos Espíritos.
• Morte.
• Obsessão.
• Ondas e Percepções.
• Paranormalidade.
• Os Animais.
• Perispírito.
• Prolegômenos.
• Presciência.
• Reencarnação.
• Romance Mediúnico Espírita.

1º-) Allan Kardec:

1) Quem foi Allan Kardec?
R ▬ Allan kardec, pseudônimo de Hippolyte-Léon Denizard Rivail, descendente de antiga família lionesa, cujos antepassados haviam muito se destacado na magistratura e na advocacia, foi o codificador da Doutrina dos Espíritos. Hippolyte-Léon Denizard Rivail nasceu no dia 3 de outubro de 1804, Allan Kardec, no dia 18/04/1857, quando do lançamento de O Livro dos Espíritos.

2) Quem era a esposa de Allan Kardec?
R ▬ Amélie-Gabrielle Boudet, nascida em 1795, foi professora primária e também de Letras e Belas Artes, trazendo de encarnações passadas a tendência inata, por assim dizer, para a poesia e o desenho. Culta e inteligente, chegou a dar à luz três obras, assim nomeadas: “Contos Primaveris”, 1825; “Noções de Desenho”, 1826; “O Essencial em Belas Artes”, 1828. Na obra, tornou-se ela a sua secretária.

3) O que se entende por Codificação Espírita ou Kardequiana? (1)
R ▬ A Codificação Espírita ou Kardequiana, chamada muitas vezes de Pentateuco Kardequiano, compõe-se dos livros: “O Livro dos Espíritos” (1857), “O Livro dos Médiuns” (1861), “O Evangelho Segundo o Espiritismo” (1864), “O Céu e o Inferno” (1865) e “A Gênese” (1868).

A grande obra de Allan Kardec, porém, vai além destes livros básicos. Podemos acrescentar:

• “O que é o Espiritismo” (1859)

• “O Espiritismo em sua Expressão mais Simples” (1862)

• “Viagem Espírita” (1862)

• “Obras Póstumas” (1890)

• “Revista Espírita”, jornal de estudos psicológicos, em fascículos mensais, redigidos e publicados pelo próprio Kardec. A coleção completa consta de 12 volumes, resultantes de 11 anos e quatro meses de trabalho intensivo. Foi editada pela primeira vez em 1.º de janeiro de 1858.

4) Qual a missão de Allan Kardec?
R ▬ A missão de Allan Kardec foi trazer à luz os princípios superiores da fé raciocinada, sem, contudo destruir, as escolas de fé, até agora existentes. É por esta razão que o Espírito Emmanuel, no livro Roteiro, diz que “O Espiritismo é, acima de tudo, o processo libertador das consciências, a fim de que a visão do homem alcance horizontes mais altos”.

5) Como era a época de Allan Kardec? (2)
R ▬ A época de Allan Kardec diz respeito ao homem do século XIX, século de profundas e agitadas discussões filosóficas, século em que se hipertrofiou muito o espírito crítico. Por outro lado, Allan Kardec teve uma formação humana muito propensa ao raciocínio analítico, à controvérsia religiosa e filosófica. O Positivismo de Augusto Comte e o Evolucionismo invadiram o pensamento da elites. Conseqüência: fora dos fenônemos objetivos, tudo era metafísica.

6) Em que meio se deu a codificação? (2)
R ▬ O Espiritismo foi codificado na França, berço da civilização ocidental. Berço esse impregnado de doutrinas contrárias à velha fé, mas também indiferentes aos altos problemas de filosofia espiritualista. Como falar de reencarnação diante de tanto ceticismo e em meio a tantas divergências doutrinárias nos círculos intelectuais e, até certo ponto, na própria esfera religiosa?

7) O que influenciou Kardec? (2)
R ▬ O Humanismo, o Racionalismo e o Universalismo. Observe que havia mais preocupação com as idéias gerais do que propriamente com as técnicas, o conhecimento específico. “O Evangelho Segundo o Espiritismo” demonstrou isso.

Tanto que Kardec teve o cuidado de selecionar os tópicos que dizem mais de perto ao amor ao próximo. A sua definição de fé é uma decorrência do Racionalismo. Ele diz: “Fé inabalável é somente aquela que consegue enfrentar a razão,face a face, em todas as épocas de humanidade”.

8] Em que pontos e até onde Kardec está desatualizado? O que podemos fazer para atualizá-lo? (3)
R ▬ Os que dizem que Kardec está desatualizado, não o dizem onde. A única coisa ressalvável é a sua linguagem restrita e compatível com o nível da época em que viveu.

Exemplo: Kardec era obrigado a falar de fluido magnético porque naquele tempo não se conhecia o átomo. Dessa forma, tudo o que transcendia à matéria era considerado fluídico. Mesmo assim fez uma ressalva, dizendo que estava usando essa linguagem na falta de outra melhor.

Bibliografia Consultada:
(1) FEESP. Curso Básico de Espiritismo (2.º Ano). São Paulo, FEESP, 1991.
(2) AMORIM, D. Allan Kardec. 2. ed., Minas Gerais, Instituto Maria, 1976.
(3) IMBASSAHY, C. de B. Quem Pergunta Quer Saber. São Paulo, Petit, 1992.

2º-) O Livro dos Médiuns:

1) Qual o objetivo de O Livro dos Médiuns?
R ▬ O Livro dos Médiuns destina-se a guiar os que queiram entregar-se à prática das manifestações, dando-lhes conhecimentos dos meios próprios para se comunicarem com os Espíritos. É um guia, tanto para médiuns, como para os evocadores (doutrinadores), e o complemento de O Livro dos Espíritos. (1)

2) Quando foi publicado? O que engloba?
R ▬ É a segunda obra da Codificação, publicada em 1861 (janeiro), que englobava, igualmente, as “Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas”, publicadas em 1858, e era, conforme esclarece Allan Kardec, a continuação de O Livro dos Espíritos. A edição definitiva é a 2ª, de outubro de 1861. (2)

3) O que contém O Livro dos Médiuns?
R ▬ O Livro dos Médiuns contém o ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o Mundo Invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática Espiritismo. (1)

4) Quais são as teorias sobre os gêneros de mediunidade?
R ▬ Allan Kardec, com o auxilio dos Instrutores Espirituais, desenvolve as teorias sobre as mesas girantes, a bi-corporeidade, a transfiguração, a tiptologia… no campo das manifestações físicas, e a psicografia, a psicofonia (médiuns falantes), a vidência (médiuns videntes)… no campo das manifestações inteligentes.

5) Quais são os meios de comunicação com o mundo invisível?
R ▬ Os meios de comunicação estudados por Allan Kardec vão desde as mesas girantes até as comunicações mais abstratas, tais como, a pneumatografia e a pneumatofonia. O capítulo XIX, “O Papel do Médium nas Comunicações Espíritas”, por exemplo, dá-nos diversas orientações sobre o transe mediúnico.

6) Quais são as dificuldades e escolhos na prática da mediunidade?
R ▬ Distinguir o que é do médium (anímico) e o que é do Espírito (mediunidade), é uma das grandes dificuldades das práticas espíritas. Nesse sentido, o médium pode sofrer a influência de Espíritos menos felizes ou mesmo ser fascinado por suas próprias idéias. Além disso, Allan Kardec chama-nos a atenção sobre as perguntas que podemos fazer aos Espíritos, sobre as contradições, as mistificações, o charlatanismo e a prestidigitação, entre outras.

7) Por que Allan Kardec insistia tanto no método científico das manifestações mediúnicas?
R ▬ Allan Kardec, depois de publicar O Livro dos Espíritos, que continha a teoria geral da Doutrina Espírita, precisava, segundo seu modo de ver, de uma comprovação científica, pois a ciência já cultivava o método teórico-experimental. Criando o seu próprio método, quis pôr os princípios do Espiritismo a salvo das fraudes e das mistificações, tão corriqueiras na época da codificação.

8] O Livro dos Médiuns está desatualizado?
R ▬ Atualização e desatualização devem ser ponderadas. É possível que alguns termos, utilizados por Allan Kardec na época, possam ser mais bem explicados pela ciência moderna.

Tanto é verdade que o Espírito André Luiz, em “Mecanismos da Mediunidade”, já nos apresenta alguns desses termos. Isso, porém, não tira o valor conceitual desta obra, que ainda é o melhor guia para aqueles que queiram aprender os fundamentos da mediunidade.

Bibliografia Consultada:
(1) KARDEC, A. O Livro dos Médiuns ou Guia dos Médiuns e dos Doutrinadores. São Paulo:Lake, [s.d.p.]
(2) BARBOSA, P. F. Espiritismo Básico. 3. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1987.

3º-) Mediunidade:

1) O que é a mediunidade?
R ▬ A mediunidade é uma faculdade orgânica, humana, natural, em que se estabelecem as relações entre os Espíritos e os médiuns. Mediunidade é intercâmbio entre o mundo dos desencarnados e o mundo dos encarnados. É uma propriedade do organismo e não depende das qualidades morais do médium.

2) Como se divide a mediunidade?
R ▬ Allan Kardec, para efeito metodológico, dividiu a mediunidade em duas grandes áreas: a mediunidade de efeitos físicos e a mediunidade de efeitos inteligentes. Dá-se o nome de manifestações físicas àquelas que se traduzem por efeitos sensíveis, tais como os barulhos, o movimento e o deslocamento dos corpos sólidos. Podem ser espontâneos ou provocados. Para que a manifestação seja inteligente, é suficiente que prove um ato livre e voluntário, que exprima uma intenção ou responda a um pensamento.

3) Todos somos médiuns?
R ▬ Sim. Para uma resposta mais objetiva a esta pergunta, urge distinguirmos os conceitos de mediunidade natural e de mediunidade tarefa. Quando dizemos que todos somos médiuns, estamos nos referindo à mediunidade natural, em que toda a humanidade é suscetível de sentir a influência dos Espíritos. A mediunidade tarefa, ou medium nato, diz respeito a um compromisso mediúnico que o Espírito assumiu no mundo dos Espíritos. Estando encarnado, deve trabalhar mediunicamente, sob pena de sofrer dificuldades espirituais na vida presente.

4) Qual o papel do médium na comunicação mediúnica?
R ▬ A função do médium é servir de intermediário ao Espírito comunicante. Para servir de intermediário, deve aprender a se apassivar, ou seja, deixar-se envolver pelo Espírito manifestante. Quanto menos influenciar a comunicação, mais a comunicação se tornará mediúnica; quanto mais influenciar, mais a comunicação se tornará anímica. Em todo o caso, o médium nunca é completamente passivo.

Em O Livro dos Médiuns, capítulo 20, item 10, Kardec diz: “É passivo quando não mistura suas próprias idéias às do Espírito estranho; porém jamais é absolutamente nulo; seu concurso é sempre necessário como intermediário, mesmo nos que vocês chamam de médiuns mecânicos”.

5) Como diferenciar os termos: animismo, mediunismo e mediunidade?
R ▬ Mediunismo é um termo cunhado pelo Espírito Emmanuel para designar as formas primitivas de mediunidade que fundamentam as crenças e religiões primitivas. A mediunidade é o mediunismo desenvolvido, racionalizado e submetido à reflexão religiosa e filosófica e às pesquisas científicas necessárias ao esclarecimento dos fenômenos, sua natureza e suas leis. Animismo é o grau de influência que o médium exerce nas comunicações mediúnicas.

6) O que se entende por desenvolvimento mediúnico?
R ▬ Desenvolver a mediunidade não é receber Espíritos, fazer psicografia ou desdobrar-se em sessões espíritas, embora isso faça parte dos exercícios práticos mediúnicos. Desenvolver a mediunidade é capacitar-se a entrar em contato com os Espíritos de luz, recebendo deles valiosos ensinamentos para uma vivência plena e serena.

Sérgio Biagi Gregório.

4º-) Os Milagres:

1) O que significa a palavra milagre
R ▬ No entender das massas, um milagre implica a idéia de um fato extra natural. No sentido teológico, é uma derrogação das Leis da Natureza, por meio do qual Deus manifesta o seu poder. Etimologicamente, vem do verbo latino mirare, que significa admirar-se, maravilhar-se. Segundo o Espiritismo, O milagre é sempre o coroamento, mas nunca derrogação das Leis naturais, que funcionam igualmente, para todos. É a designação de fatos naturais cujo mecanismo familiar à Lei Divina ainda se encontra defeso ao entendimento fragmentário da criatura.

2) O milagre, segundo a teologia, é uma violação pura e simples das leis da natureza?
R ▬ Não. Se assim fosse, teriam razão os cientistas que observam a constância das leis físicas. Precisamos observá-lo de outro modo. O milagre é sinal de aparecimento de uma nova ordem no mundo, a ordem sobrenatural da salvação.

No Velho Testamento Deus dá este “sinal” ao povo de Israel; no Novo Testamento, Jesus Cristo é o emblema da salvação. Todos os milagres, realizados por Jesus, nada mais são do que um prolongamento desse milagre inicial, que foi a vinda do Cristo ao mundo. (Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura)

3) Quais são os caracteres dos milagres?

• Ser inexplicável. Por isso se realiza à revelia da Lei Natural. Conhecida a lei natural, o milagre deixa de existir e o poder dos milagreiros é posto à prova.

• Ser insólito, isolado, excepcional. Os milagres duram enquanto não se descobre a lei natural implícita em cada um deles. Não é por acaso que a ciência sempre foi vista com desdém pelos monopolizadores dos milagres. Por trás desse fato há o receio de que a descoberta da lei natural possa lhes tirar boa parte de seu poder sobre os seus fiéis. (Kardec, 1975, cap. XIII)

4) O Espiritismo faz milagres?
R ▬ Não. O Espiritismo veio revelar novas leis e explicar os fenômenos compreendidos na alçada dessas leis. Esses fenômenos se prendem à existência de Espíritos e da sua atuação no mundo material. A isso, dá-se o nome de sobrenatural. Desvendado esse mistério, por força do conhecimento do mundo espiritual e da sua influência sobre o mundo material, o sobrenatural deixa de existir e, por conseqüência, os milagres que daí decorrem. (Kardec, 1975, cap. XIII)

5) Faz Deus milagres?
R ▬ Deus, na sua soberania incomensurável, poderia fazê-los. Será que Ele derroga as leis que Ele próprio criou? Que necessidade teria Deus de fazer milagres? Como Deus não faz coisas inúteis, depreende-se que nada no Universo se produz fora do âmbito das leis gerais. Em outras palavras, Deus não faz milagres, porque, sendo perfeitas as suas leis, não lhe é necessário derrogá-las. (Kardec, 1975, cap. XIII)

6) A tese do sobrenatural, como fundamento das religiões, é sustentável?
R ▬ Não. É, inclusive, perigosa. Por quê? As verdades do Cristianismo não podem ser construídas apenas sobre o maravilhoso, pois este é um alicerce muito fraco. Suponha que se demonstre que todas as colocações sobrenaturais sejam naturais. Acabar-se-ia a religião. Allan Kardec enfatiza que “o de que necessitam as religiões não é do sobrenatural, mas do princípio espiritual, que erradamente costumam confundir com o maravilhoso e sem o qual não há religião possível”. (Kardec, 1975, cap. XIII)

7) Como se explicam os milagres narrados nos Evangelhos?
R ▬ A compreensão dos milagres está no estudo dos fluidos. Os fluidos podem ser espirituais ou materiais. Em se tratando do ser humano, fala-se em magnetismo.

Segundo Allan Kardec, a ação magnética pode produzir-se de diversas maneiras:

• Pelo próprio fluido do magnetizador é magnetismo humano.

• Pelo fluido dos Espíritos, atuando diretamente e sem intermediário sobre o encarnado è magnetismo espiritual.

• Pelos fluidos que os Espíritos derramam sobre o magnetizador, que serve de veículo para esse derramamento è magnetismo misto, semi-espiritual ou humano-espiritual. (Kardec, 1975, cap. XIV)

8] Quais são os casos relatados por Allan Kardec?

• Possessos, Ressurreições (A Filha de Jairo, Filho da Viúva de Naim)

• Sonhos, Estrela dos Magos, Dupla Vista (Entrada de Jesus em Jerusalém, Beijo de Judas, Pesca Milagrosa, Vocação de Pedro, André, Tiago, João e Mateus),

• Jesus Caminha sobre a Água, Transfiguração, Tempestade Aplacada, Bodas de Caná, Multiplicação dos Pães (O Fermento dos Fariseus, O Pão do Céu),

• Curas (Perda de Sangue, Cego de Betsaida, Paralítico, Os Dez Leprosos, Mão Seca, A Mulher Curvada, O Paralítico da Piscina, Cego de Nascença, Numerosas Curas Operadas por Jesus),

• Tentação de Jesus, Prodígios por Ocasião da Morte de Jesus, Aparição de Jesus, após a sua Morte e Desaparecimento do Corpo de Jesus. (Kardec, 1975, cap. XV)

9) Poderia exemplificar-nos alguns desses casos?

1) A utilização da lama feita de saliva e terra para curar o cego de nascença. Evidentemente, a lama feita de saliva e terra nenhuma virtude podia encerrar, a não ser pela ação do fluido curativo de que fora impregnada. Do mesmo modo, pode-se falar da magnetização da água, servindo de veículo, de reservatório de energia.

2) A perda de sangue. É o caso de uma mulher que sofria, há mais de dez anos, de hemorragia. Somente em tocar a vestes de Jesus, Ele sentira que uma virtude tinha saído dele.

3) A pesca miraculosa. Explica-se pela dupla vista. Jesus não produziu espontaneamente peixes onde não os havia; ele viu com a vista da alma.

4) Jesus caminha sobre as águas. Jesus, embora estivesse vivo, pôde aparecer sobre a água, com uma forma tangível, estando alhures o seu corpo. É a hipótese mais provável. Pode-se, também, explicar o fato através do fenômeno de levitação. (Kardec, 1975, cap. XV)

Bibliografia Consultada:
ENCICLOPÉDIA LUSO-BRASILEIRA DE CULTURA. Lisboa: Verbo, [s. d. p.]
KARDEC, A. A Gênese – Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. 17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1975.

5º-) Missão dos Espíritos:

1) O que é uma missão?
R ▬ Segundo o Dicionário Aurélio: 1. Função ou poder que se confere a alguém para fazer algo; encargo, incumbência. 2. Função especial da qual um governo encarrega diplomata (s) ou agente (s) junto a outro país.

2) O que é uma missão superior? O que se entende por missionários?
R ▬ Missão superior é aquela que objetiva a regeneração da Humanidade e que, pelo seu conjunto e sua força, se estenderá, dominando a ação de todos os outros missionários. A missão do superior é amparar o inferior e educá-lo. Os missionários, por sua vez, são Espíritos superiores que encarnam com o fim de fazer progredir a Humanidade. (1)

3) Quais outros tipos de missão?

• Missão de Jesus: transmitir aos homens o pensamento de Deus.

• Missão dos Apóstolos: especialmente a de Paulo, consistia em preparar e abrir os caminhos à era do Espírito.

• Missão da Doutrina Espírita: consolar e instruir, em Jesus, para que todos mobilizem as suas possibilidades divinas no caminho da vida.

4) Em que consiste a missão dos Espíritos encarnados? (pergunta 573)
R ▬ Em instruir os homens, em lhes auxiliar o progresso; em lhes melhorar as instituições, por meios diretos e materiais. As missões, porém, são mais ou menos gerais e importantes. O que cultiva a terra desempenha tão nobre missão, como o que governa, ou o que instrui. Tudo em a Natureza se encadeia. Ao mesmo tempo em que o Espírito se depura pela encarnação, concorre, dessa forma, para a execução dos desígnios da Providência. Cada um tem neste mundo a sua missão, porque todos podem ter alguma utilidade. (2)

5) A missão de um Espírito lhe é imposta?
R ▬ As missões superiores, antes de serem impostas, são solicitadas pelos Espíritos. Eles se alegram muito quando são atendidos.

6) O Espírito que reencarna com uma missão definida receia malograr tal qual acontece com aquele que a tem como prova?
R ▬ Não. Como já tem experiência, e de certo modo, pediu aquela missão, ele sempre se enche de brio para poder levar avante a sua tarefa.

7) Como reconhecer um Espírito missionário? (pergunta 575)
R ▬ Pela sua moral e o seu caráter, pelas grandes coisas que opera, pelos progressos a cuja realização conduz seus semelhantes.

8] Quais são as recomendações dos benfeitores espirituais a respeito da ocupação e missão dos Espíritos?
Os Espíritos encarnados têm ocupações inerentes às suas existências corpóreas. No estado de erraticidade, ou de desmaterialização, tais ocupações são adequadas ao grau de adiantamento deles. Uns percorrem os mundos, se ocupam com o progresso, dirigindo os acontecimentos e sugerindo idéias que lhe sejam propícias. Assistem os homens de gênio que concorrem para o adiantamento da Humanidade.

Outros encarnam com determinada missão de progresso. Outros tomam sob sua tutela os indivíduos, as famílias, as reuniões, as cidades e os povos, dos quais se constituem os anjos guardiões, os gênios protetores e os Espíritos familiares. Outros, finalmente, presidem aos fenômenos da Natureza, de que se fazem os agentes diretos.

Os Espíritos vulgares se imiscuem em nossas ocupações e diversões. Os impuros ou imperfeitos aguardam, em sofrimentos e angústias, o momento em que praza a Deus proporcionar-lhes meios de se adiantarem. Se praticam o mal, é pelo despeito de ainda não poderem gozar do bem.

Bibliografia Consultada:
(1) EQUIPE DA FEB. O Espiritismo de A a Z. Rio de Janeiro: FEB, 1995.
(2) KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed. São Paulo: Feesp, 1995.

6º-) Morte:

1) Que é a morte?
R ▬ Morte é a exaustão dos órgãos físicos. É a cessação da vida e manifesta-se pela extinção das atividades vitais: crescimento, assimilação e reprodução no domínio vegetativo; apetites sensoriais no domínio sensitivo. Segundo o Espiritismo, a morte é o desprendimento total do Espírito do corpo físico em conseqüência da ruptura do laço fluídico, que prende ou liga um ao outro.

2) É o corpo que deixa o Espírito ou o Espírito que deixa o corpo?
R ▬ É o corpo que deixa o Espírito, pois não tendo mais vitalidade se desgarra deste. Assemelha-se à queda da fruta, quando esta está madura.

Allan Kardec disse: “Por um efeito contrário, a união do perispírito e da matéria carnal, que se efetuara sob a influência do princípio vital do gérmen, cessa, desde que esse princípio deixa de atuar, em conseqüência da desorganização do corpo. Mantida que era por uma força atuante, tal união se desfaz, logo que essa força deixa de atuar. Então, o perispírito se desprende, molécula a molécula, conforme se unira, e ao Espírito é restituída a liberdade. Assim, não é a partida do Espírito que causa a morte do corpo; esta é que determina a partida do Espírito”. (Kardec, 1975, cap. XI, item 18)

3) De onde vem o temor da morte?
R ▬ O temor da morte tem várias causas: o medo do desconhecido, lembranças menos felizes de desencarnes passados, impressões impostas pelas religiões, mancha na consciência etc. Allan Kardec disse:

“Este temor é um efeito da sabedoria da Providência e uma conseqüência do instinto de conservação comum a todos os viventes. Ele é necessário enquanto não se está suficientemente esclarecido sobre as condições da vida futura”. (Kardec, 1975, cap. II, item 2)

4) Os espíritas temem a morte?
R ▬ Não. O Espiritismo ensina-nos que a morte não existe. O espírita sabe que o verdadeiro mundo é o mundo dos Espíritos. Este, em que vivemos, é apenas transitório, serve de morada ao Espírito, de apoio à sua evolução moral e espiritual. Assim, ele tem certeza que a vida continua para além do corpo físico. Isso, inclusive, lhe dá garantia de que ao desencarnar vai encontrar seus familiares e amigos.

5) Como se dá a separação do Espírito do corpo físico?
R ▬ Quando a morte é natural, o desprendimento começa pelos pés, indo progressivamente até a cabeça, onde está situado o centro de força coronário, o último a desatar por causa de sua estreita ligação com o Espírito.

6) Desprendendo-se do corpo, para onde vai a alma?
R ▬ As religiões ortodoxas dizem que alma vai para o Céu ou para o Inferno. O Espiritismo ensina-nos que a alma vai para onde a levar o peso específico de seu perispírito. Irá para um lugar beatífico, ou cheio de trevas, conforme tiver sido a sua passagem por este mundo de provas e expiações.

Em se tratando das expectativas da vida futura, convém eliminar a visão miraculosa do desencarne. Aquele que só praticou o mal, não espere o paraíso. Lembremo-nos de que o Universo é regido por leis, físicas e morais. No caso, são as leis morais que determinarão a nossa rota no mundo dos Espíritos.

7) É o vivo que está morto ou o morto que está vivo?
R ▬ Passado o momento de adaptação ao mundo dos desencarnados, somos levados a aceitar que eles estão mais vivos do que nós. Sem o corpo físico, eles têm mais condições de se locomover, pensar e de observar, inclusive os nossos passos aqui na Terra, sem que o saibamos.

8] Por que pensamos na morte dos outros e não na nossa?
R ▬ É o instinto de conservação falando mais alto. Contudo, devemos pensar numa educação para a morte, como o fez José Herculano Pires, num livro com este título, para que ela não nos pegue desprevenidos, como é o caso do homem rico que não sabia o que fazer com sua riqueza.

Depois de construir muitos celeiros, disse à sua alma: “Minha alma, tens de reserva muitos bens para longos anos; repousa, come, bebe, goza. Mas, Deus, ao mesmo tempo, disse ao homem: Que insensato és! Esta noite mesmo tomar-te-ão a alma; para que servirá o que acumulaste? É o que acontece àquele que acumula tesouros para si próprio e que não é rico diante de Deus”. (S. LUCAS, cap. XII, vv. 13 a 21)

Bibliografia Consultada:
KARDEC, A. A Gênese – Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. 17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1975.
KARDEC, A. O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo. 22. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1975.

7º-) Obsessão:

1) O que significa a palavra obsessão? Quais são os seus caracteres?
R ▬ Obsessão é a influência que Espíritos inferiores exercem em determinados indivíduos. Decorre sempre de uma imperfeição moral, que dá ascendência a um Espírito mau. Reconhecemos a obsessão pelos seguintes caracteres:

• Desejo incessante e inoportuno de escrever,

• Persistência de um único Espírito em querer comunicar-se,

• Tomar por mal as críticas a respeito das comunicações que recebe,

• Disposição de se afastar das pessoas que lhe podem dar úteis avisos, (1)

• Ilusão do médium, impedindo-o de reconhecer o ridículo e a falsidade da comunicação que recebe.

2) Quais são os graus da obsessão?

• Fascinação: ação direta exercida por um Espírito inferior sobre a do indivíduo, perturbando ou embaralhando suas idéias.

• Obsessão Simples: persistência do Espírito em comunicar-se, quer o médium queira, quer não, impedindo que outros Espíritos o façam.

• Subjugação: constrição exercida por Espírito (ou Espíritos inferiores), a qual paralisa a vontade de maneira contrária aos próprios desejos e sentimentos, levando-o à aberração das faculdades psicofisiológicas. Pode apresentar-se de forma moral ou corporal. (1)

3) Quais são as causas da obsessão?
R ▬ Os Espíritos influenciam os encarnados pelas seguintes razões:

• Covardia (aproveitam-se das fraquezas morais de certos indivíduos)(1)

• Desejo de fazer o mal (como sofre, quer que os outros sofram também).

• Vingança que exerce sobre um indivíduo do qual teve do que se queixar durante sua vida ou numa outra existência.

4) Quem causa obsessão em quem?
R ▬ Geralmente, achamos que estamos sendo obsedados pelos Espíritos menos felizes. Nem sempre é assim. Muitas vezes, somos nós que os obsedamos, principalmente quando um parente desencarna e nós ficamos pensando nele dia e noite. Os Espíritos superiores orientam-nos a orar por eles e deixar que cada qual siga o seu caminho.

5) Explique a obsessão em termos da simbiose das mentes
R ▬ Qual se verifica entre a alga e o cogumelo, a mente encarnada entrega-se, inconscientemente, ao desencarnado que lhe controla a existência, sofrendo-lhe temporariamente o domínio até certo ponto, mas, em troca, à face de sensibilidade excessiva de que se reveste, passa a viver, enquanto perdure semelhante influência necessariamente protegido contra o assalto de forças ocultas ainda mais deprimentes. (2)

6) Que relação há entre obsessão e vampirismo?
R ▬ Vampiro é toda entidade ociosa que se vale, indebitamente, das possibilidades alheias. Em se tratando dos Espíritos que sugam as energias dos encarnados, devemos reconhecer que eles atendem ao chamamento destes. De modo que a eliminação da influência menos feliz deve começar em nós mesmos. (3)

7) Há possibilidade de a possessão ser de um Espírito bom?
R ▬ Na obsessão há sempre um Espírito malfeitor. Na possessão pode tratar-se de um Espírito bom que queira falar e que, para causar maior impressão nos ouvintes, toma do corpo de um encarnado, que voluntariamente lho empresta, como emprestaria seu fato a outro encarnado. Isso se verifica sem qualquer perturbação ou incômodo, durante o tempo em que o Espírito encarnado se acha em liberdade, como no estado de emancipação, conservando-se este último ao lado do seu substituto para ouvi-lo. (4)

8] Como o Espírito André Luiz analisa o afastamento do obsessor?
R ▬ De acordo com o Espírito André Luiz, devemos considerar:

• Obsedado e obsessor comungam um mesmo estado de alma, dificultando a identificação da verdadeira da vítima, principalmente com a visão circunscrita ao corpo terrestre,

• Existem processos laboriosos de resgate, em que, depois de afastados os elementos da perturbação e da sombra, perseveram as situações expiatórias,

• Diante do obsedado, fixam apenas um imperativo imediato, afastamento do obsessor, mas, como rebentar, de um instante para outro, algemas seculares forjadas nos compromissos recíprocos da vida em comum? (5)

Bibliografia Consultada:
(1) O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, capítulo 23.
(2) Evolução em Dois Mundos, pelo Espírito André Luiz, capítulo 14.
(3) Missionários da Luz, pelo Espírito André Luiz, capítulo 4.
(4) A Gênese, de Allan Kardec, capítulo 14, item 48.
(5) Missionários da Luz, pelo Espírito André Luiz, capitulo 17 e 18.

8º-] Ondas e Percepções:

1) O que são ondas?
R ▬ Onda é uma partícula que se desloca com movimento oscilatório. Acontece, porém, que ao deslocar-se provoca um “campo magnético”. “À falta de terminologia mais clara, diremos que uma onda é determinada forma de ressurreição de energia, por intermédio do elemento particular que a veicula ou estabelece”. (Espírito André Luiz)

2) O que são percepções?
R ▬ Em Psicologia é a função por meio da qual o espírito forma uma representação dos objetos exteriores.

3) Quais são os elementos importantes para a compreensão das ondas?

• Crista – É o ponto máximo de uma oscilação.

• Período – É o tempo de uma oscilação, medida em segundos.

• Comprimento da onda – É a distância que medeia entre duas oscilações.

• Amplitude – É medida pela distância maior ou menor de subida e descida numa linha média.

• Freqüência – Número de oscilações executadas durante UM segundo. Quanto maior a freqüência, mais ALTA é ela; quanto menor, mais BAIXA.

4) Quais são os tipos de ondas?
R ▬ As ondas podem ser classificadas da seguinte forma: 1) ondas longas (superiores a 600 metros de comprimento); 2) ondas médias (variam entre 150 e 600 metros); 3) ondas curtas (variam entre 10 e 150 metros); 4) ultracurtas (todas as que forem menores do que 10 metros). Observação: quanto mais curtas maiores é o alcance.

5) Que relação pode estabelecer entre ondas amortecidas e o ser humano?
R ▬ Em física, diz-se das ondas que atingem e deixam rapidamente um valor máximo de amplitude (não se firmando em determinado setor vibratório). No homem, são as produzidas por cérebros não acostumados à elevação espiritual, mas que em momentos de aflição, proferem preces fervorosas. Não conseguem sustentar-se em alto nível. Geralmente, falam que “suas preces não são atendidas”.

6) Quanto se pode captar do espectro eletromagnético?
R ▬ O espectro eletromagnético varia de 10-14 a 108 em comprimentos de ondas (metros). Os nossos olhos captam apenas 1/70 (aproximadamente de 400 a 700 comprimentos de ondas em milimícrons) desse total. Há, assim, ondas, vibrações, cores, sons que estão no universo e não somos capazes de captar.

7) Quais são os tipos de percepção mais comuns?

• Percepção tátil,

• Percepção visual,

• Percepção auditiva,

• Percepção no tempo,

• Percepção no espaço,

• Percepção decorrentes das figuras ambíguas.

8] Há diferença entre a percepção extra-sensorial e a percepção mediúnica?
R ▬ A percepção extra-sensorial é uma palavra cunhada por Rhine para designar a percepção de um objeto independentemente dos órgãos do sentido. A percepção mediúnica é a visão, audição e comunicação com um mundo que não é percebido pelas vias sensoriais do encarnado.

9) Relacione transe, transe mediúnico e mediunidade.

• Transe mediúnico. Considera-se em geral, auto-sugerido, uma forma de auto-hipnose

• Transe é um estado de baixa tensão psíquica com estreitamento do campo da consciência e dissociação.

• Mediunidade é sintonia e filtragem. Toda a percepção é mental. Surdos e cegos na experiência física, convenientemente educados, podem ouvir e ver, através de recursos diferentes daqueles que são vulgarmente utilizados.

10) Como podem ser as interferências no pensamento?
R ▬ As interferências construtivas podem ser interpretadas como os conselhos e instruções dos benfeitores espirituais. As interferências destrutivas são as influências menos felizes dos Espíritos imperfeitos e propensos ao mal.

Sérgio Biagi Gregório.

9º-) Paranormalidade:

1) O que se entende por normalidade? E paranormalidade?
R ▬ A normalidade é definida em função dos cinco sentidos físicos: paladar, tato, audição, visão e olfato. Os acontecimentos, que escapam a esses cinco sentidos, são catalogados como fenômenos paranormais. Entendamos a diferença por um exemplo: suponha que tenha havido um incêndio em determinado lugar.

As pessoas que estavam no local viram o fenômeno normal. Suponha que uma pessoa, que não tenha visto nem ouvido, mas teve acesso a essa informação por vias não comuns. Este é um paranormal. Há a possibilidade de alguém prever ou perceber este acontecimento de um lugar bem distante. Este também é classificado como paranormal. (1)

2) Qual o limite entre o normal e o paranormal?
R ▬ Questão de grau nem sempre fácil de precisar. O fenômeno normal pertence aos cinco sentidos; o paranormal, a tudo o que escapa aos cincos sentidos. O ser humano, contudo, possui muito mais do que cinco sentidos. Há a percepção de movimentos musculares, de impressões de equilíbrio… Mais: a nossa percepção não é apenas percepção, é também análise, reflexão, conceituação, o que dificulta ainda mais limitar onde termina um e começa o outro.

3) Paranormalidade é sinônimo de mediunidade?
R ▬ Sim e não. Quando a paranormalidade se refere à psicografia, à xenoglossia e à materialização, estamos diante de um fenômeno mediúnico. Neste caso, a resposta é sim. Quando a paranormalidade se refere à telepatia, à clarividência e à premonição, estamos diante de um fenômeno anímico. Aqui, a resposta é não. Observação: a maioria dos fenômenos analisado pela parapsicologia é de cunho anímico e não mediúnico.

4) Desde quando os fenômenos paranormais foram englobados pela parapsicologia?
R ▬ Devido à falta de uniformidade dos fenômenos paranormais, o 1.º Congresso Internacional de Parapsicologia, na cidade de Utrecht, em 1953, adotou como oficial a nomenclatura de Thouless e Wiesner, que sugeriram englobar todos os fenômenos paranormais, sob a designação genérica de fenômenos Psi (letra grega).

A palavra Psi aqui não tem qualquer relação direta com o termo grego psyché (alma), mas, unicamente, com a 23a letra do alfabeto grego. Desta forma, J. B. Rhine classificou os fenômenos de telepatia, clarividência e pré e post-coginição (P.E.S.) como função “psi-gama”, a telecinesia, a teleplastia e a psicocinesia – dinamismo psíquico – como função “psi-kapa”. (2)

5) O que se entende por parapsicologia?
R ▬ A parapsicologia é uma atividade de pesquisa concernente à zona fronteiriça, ainda desconhecida ou mal conhecida, que separa os estados psicológicos considerados como habituais e normais, dos estados excepcionais, ou patológicos.

Pretende, assim, colocar os fenômenos que estuda à margem da psicologia, e também da patologia. Segundo Robert Amadou, “A parapsicologia coloca em evidência o estudo experimental das funções psíquicas ainda não incorporadas ao sistema da psicologia científica, com vistas à sua incorporação nesse sistema ampliado me completado”.

6) É confiável o uso de estatística para detectar o fenômeno paranormal?
R ▬ René Warcollier, parapsicólogo francês, disse que Rhine renuncia, por método, a alcançar a ave rara do fenômeno no estado puro, com a condição de se apoderar infalivelmente de algumas penas que demonstrem a existência da ave. Observe o uso da telepatia em nossos trabalhos do Colégio de Médium. Adivinhar números ou naipes do baralho é totalmente diferente de se captar o problema da pessoa e, a partir daí, passar uma assistência espiritual.

7) Deve o médium, tal qual o paranormal, cobrar pelas suas consultas?
R ▬ A reportagem da Revista Superinteressante, de julho de 2009, relata que Joseph McMoneagle cobra 250 dólares por hora de trabalho, e a vidente Noreen Renier, 1.000 dólares por consulta. Para o Espiritismo, a mediunidade deve ser gratuita, pois está fundamentada na frase “dar de graça o que graça receber”.

O médium espírita deve ter consciência de que não é nenhum missionário na acepção da palavra, mas um Espírito bastante endividado, que reencarnou com a tarefa de redimir os seus erros do passado. Para tanto, deve encaminhar para o bem, as pessoas que houvera desviado em encarnações passadas. Cobrar por algo que não lhe pertence pode lhe trazer conseqüências funestas, inclusive com a perda da própria mediunidade.

Bibliografia Consultada:
(1) FARIA, Osmard Andrade. O Que é Parapsicologia. São Paulo: Abril Cultural, 1985. Coleção Primeiros Passos, 27
(2) ANDRADE, H. G. Parapsicologia Experimental. 2. ed. São Paulo: Boa Nova, 1976.

10º-) Os Animais:

1) Os cientistas afirmam que os animais são inteligentes. Há fundamento nas observações abaixo?

• Insetos e peixes lembram-se do passado e até aprendem com ele.

• Os cachorros conseguem entender frases com verbo e objeto direto.

• Bem ensinados, os orangotangos e os gorilas aprendem a falar por sinais.

• Os elefantes vivem organizados em grupos sociais ligados por laços de parentesco e amizade. Eles também velam os mortos em rituais.

• As abelhas como acontecem com muitos outros insetos, agem como se guiados por uma mente coletiva, formada por todos os indivíduos da colméia.

• Betty, um corvo fêmea que, depois de o corvo macho ter desistido de buscar comida no fundo de um vidro, ela aproximou-se com um pedaço de arame, dobrou-o na forma de um gancho e enfiou-o no tubo até o fundo, fisgando o petisco.

2) Que relação há entre a inteligência humana e a inteligência animal?
R ▬ A inteligência animal é limitada. Para entendê-la, partamos do seguinte: “todo efeito inteligente tem uma causa inteligente; a grandeza do efeito é diretamente proporcional à potência da causa”. Disto se conclui que a inteligência animal é da mesma natureza que a humana, apenas diferenciando no desenvolvimento gradativo.

Há, no animal, a atenção, o julgamento, o raciocínio, a associação de idéias, a memória e a imaginação, que são atributos da inteligência, mas o seu desenvolvimento está muito aquém daquele conseguido pelo ser humano. Exemplo: os animais não escrevem, não articulam o pensamento, não raciocinam etc.

3) Podemos dizer que os animais só agem por instinto?
R ▬ Não. O instinto domina na maioria dos animais. “Há neles, portanto, uma espécie de inteligência, mas cujo exercício é mais precisamente concentrado sobre os meios de satisfazer às suas necessidades físicas e prover à conservação”. (Pergunta 593 de O Livro dos Espíritos)

4) Os animais têm livre arbítrio?
R ▬ Não são simples máquinas, mas sua liberdade de ação é limitada pelas suas necessidades, e não pode ser comparada à do homem. Sendo muito inferiores a este, não têm os mesmos deveres. Sua liberdade é restrita aos atos da vida material. A sua escolha é mecânica, por instinto. Na comparação do homem ao animal, Allan Kardec na pergunta 597 A de O Livro dos Espíritos diz: “há, entre a alma dos animais e a do homem tanta distância quanto entre a alma do homem e Deus”. (Pergunta 595 de O Livro dos Espíritos)

5) Os animais têm alma?
R ▬ A alma é um princípio inteligente que independe do corpo físico. Nesse sentido, o animal a possui, mas em grau diverso daquele observado no ser humano. Allan Kardec diz: “Há, entre a alma dos animais e a do homem tanta distância quanta entre a alma do homem e Deus”. (Pergunta 597A de O Livro dos Espíritos)

6) Os animais podem ser médiuns?
R ▬ A mediunidade é uma faculdade humana. Os animais possuem percepção extra-sensorial em alto grau. José Herculano Pires, em seu livro Mediunidade, afirma que somente no ser humano, que é uma síntese perfeita e equilibrada de todo o processo evolutivo alcançado nos vários reinos da natureza, com inteligência desenvolvida, razão e pensamento contínuo e criador, há a possibilidade da eclosão da Mediunidade.

Para ele, a Mediunidade é uma função sem órgão, resultante de todas as funções orgânicas e psíquicas da espécie. Ele acrescenta: “A Mediunidade é a síntese por excelência, que consubstancia todo o processo evolutivo da Natureza. Querer atribuí-la a outras espécies que não a humana é simples absurdo”. (1984, pág. 94 e 95)

Bibliografia Consultada:
(Revista Terra)
KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed. São Paulo: Feesp, 1995.
Os Animais São Inteligentes. Revista Terra. Janeiro de 2004, edição 141.
PIRES, J. H. Mediunidade (Vida e Comunicação) – Conceituação, da Mediunidade e Análise Geral dos seus Problemas Atuais. 5. ed. São Paulo: Edicel, 1984.

11º-) Perispírito:

1) O que é o perispírito?
R ▬ Perispírito é o elo de ligação entre o Espírito e o corpo físico. Tal qual a semente possui o perisperma, o Espírito, por comparação, possui o perispírito.

2) Como se forma o perispírito?
R ▬ O perispírito se forma do fluido universal de cada globo. Conforme o teor evolutivo do Espírito, ele tomará, deste fluido, as partes mais condensadas ou mais rarefeitas. Por esta razão, cada Espírito terá o seu perispírito, com peso especifico próprio, diferente de todos os outros.

3) O perispírito tem forma?
R ▬ A forma do perispírito é a forma humana. Contudo, ela pode ser modificada conforme o arbítrio do Espírito.

4) Quando se vê um Espírito, vê-se o Espírito ou o perispírito?
R ▬ A vidência mostra a realidade do Espírito. É por ela que aprendemos que o Espírito é sempre um todo e não pode estar separado do corpo físico ou do corpo espiritual. Quando vemos um Espírito, vemo-lo com o seu perispírito, pois é este que dá forma ao Espírito propriamente dito.

5) Por que a solução de muitos problemas de nossa vida está no perispírito?
R ▬ O perispírito é o molde do corpo físico. Ele pode ser entendido como um campo mental do Espírito. Nesse campo mental estão registradas todas as nossas ações passadas, tanto as boas quanto as más. Nesse sentido, todos os excessos que cometermos nesta existência poderão danificar esse campo mental. Numa próxima encarnação poderemos vir com ele manchado, como doença, como uma prova a suportar etc.

6) Nos mundos mais evoluídos, o perispírito desaparece?
R ▬ Não. Por uma simples razão: o universo é composto de dois princípios, que são o Espírito e a matéria. Como o perispírito é matéria, por mais tênue que se torne, ainda será matéria e fará parte do Espírito. É possível que, por ser demasiado rarefeito, se pense que não exista mais matéria, que tenha se extinguido.

7) Quando passamos de um mundo para outro, levamos o perispírito?
R ▬ Allan Kardec diz-nos que ao deixarmos, por exemplo, o planeta Terra e reencarnarmos em Júpiter, deixamos o perispírito aqui e tomamos outro do planeta Júpiter. Como isso é possível?

8] A sede da memória está localizada no Espírito ou no perispírito?
R ▬ No Espírito. Suponha, por exemplo, a mudança de perispírito. Se deixarmos o nosso perispírito neste planeta e reencarnamos em outro, como manteríamos a memória?

Bibliografia Consultada:
KARDEC, A. A Gênese – Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. 17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1975.
KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed. São Paulo: Feesp, 1995.
KARDEC, A. O Livro dos Médiuns ou Guia dos Médiuns e dos Doutrinadores. São Paulo:Lake, [s.d.p.]

12º-) Prolegômenos:

1) O que se entende por prolegômenos?
R ▬ Prolegômenos é o estudo preliminar, introdutivo e simplificado. Segundo a etimologia grega, é o que é dito anteriormente: introdução ou exposição preliminar antes do desenvolvimento de uma teoria.

2) O que Allan Kardec diz no início do seu prolegômenos?
R ▬ Allan Kardec enfatiza que cabe à ciência espírita estudar os fenômenos que a ciência natural não consegue explicar. A ciência natural não consegue explicar, por exemplo, a existência de Espíritos. Allan Kardec, para demonstrar a sua existência, reporta-se ao princípio de que “todo o efeito inteligente tem como causa uma força inteligente”. A seguir, diz que essa força, quando evocada pode entrar em comunicação com os seres humanos.

3) O que se depreende das instruções dadas pelos Espíritos a Allan Kardec?
R ▬ Que a obra não seria de Allan Kardec, mas dos Espíritos. Por isso, diz-se Doutrina dos Espíritos e não doutrina de Allan Kardec.

Recordemos a frase:
“Ocupa-te, cheio de zelo e perseverança, do trabalho que empreendeste com o nosso concurso, pois esse trabalho é nosso. Nele pusemos as bases de um novo edifício que se eleva e que um dia há de reunir todos os homens num mesmo sentimento de amor e caridade. Mas, antes de o divulgares, revê-lo-emos juntos, a fim de lhe verificarmos todas as minúcias”.

4) Quando deveria publicar a obra?
R ▬ Tudo deve chegar a seu tempo. Os Espíritos superiores sabem encaminhar os acontecimentos para que o fim (Doutrina dos Espíritos) seja alcançado. Antes da publicação, incentivam o codificador a se fortalecer para suportar as dificuldades que hão de vir, pois toda a ideia nova traz como conseqüência contrariedades, confusões e lutas.

Segundo a palavra dos Espíritos: “Entre os ensinos que te são dados, alguns há que deves guardar para ti somente, até nova ordem. Quando chegar o momento de os publicares, nós to diremos. Enquanto esperas, medita sobre eles, a fim de estares pronto quando te dissermos”.

5) O que significa colocar o ramo da videira no cabeçalho do livro?
R ▬ O ramo da videira é a imagem perfeita da relação Espírito-Matéria. Neste ramo estão os princípios fundamentais da Doutrina Espírita, ou seja, a união do Espírito ao corpo físico, através do perispírito.

Nas palavras dos Espíritos:
“Porás no cabeçalho do livro a cepa que te desenhamos, porque é o emblema do trabalho do Criador. Aí se acham reunidos todos os princípios materiais que melhor podem representar o corpo e o espírito. O corpo é a cepa; o espírito é o licor; a alma ou espírito ligado à matéria é o bago. O homem quintessência o espírito pelo trabalho e tu sabes que só mediante o trabalho do corpo o Espírito adquire conhecimentos”.

6) Quais foram as advertências dos Espíritos em relação às críticas?
R ▬ Os Espíritos superiores, prevendo as críticas e, com elas, o desencorajamento, municiaram-no de palavras de reconforto. Eles disseram: “… Prossegue sempre. Crê em Deus e caminha com confiança: aqui estaremos para te amparar e vem próximo o tempo em que a Verdade brilhará de todos os lados”.

7) Por que os Espíritos de luz enalteceram a perseverança e a humildade?
R ▬ Os Espíritos de luz invocam a humildade e o desinteresse, repudiando o orgulho e a ambição, pois quando o ser humano vale-se da religião para atingir os seus interesses materiais e pessoais, põe por terra a sua ética. É por isso que a humildade é o fundamento de todas as virtudes. Recomendam-lhe também a perseverança, pois os frutos da Doutrina não apareceriam de imediato, mas teriam conseqüências para gerações futuras.

8] Quais são os Espíritos que o auxiliaram?
R ▬ São João Evangelista, Santo Agostinho, São Vicente de Paulo, São Luís, O Espírito da Verdade, Sócrates, Platão, Fénelon, Franklin, Swedenborg etc.

9) Que conclusão podemos tirar dos prolegômenos?
R ▬ Allan Kardec, ao codificar a Doutrina Espírita, fugiu do ESPÍRITO DE SISTEMA. O espírito de sistema é obedecer à ideia de um filósofo, de um religioso, de um determinado pensador. Sabemos que todos eles, por mais apoio que tenham recebido dos Espíritos de luz, são limitados. Quanto à Doutrina Espírita, que é obra de diversos Espíritos e diversos médiuns espalhados por todo o mundo, podemos ter certeza da impessoalidade das ideias veiculadas.

Estas foram as orientações dadas a Allan Kardec para que o edifício doutrinário fosse construído sobre um arcabouço firme, tanto teórico quanto prático. Deduz-se que, se a base é sólida, todo o conhecimento posterior pode lhe ser acrescentado, sem ruí-la, mas fortificando-a.

Bibliografia Consultada:
O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec

13º-) Presciência:

1) O que é presciência?
R ▬ É a previsão do futuro. Filos. Chamam os teólogos presciência ao atributo pelo qual Deus conhece todas as coisas, ou ao conhecimento que Deus tem de todo o presente, o passado e o futuro, não só no que respeita ao Homem e a tudo que ao Homem concerne, mas também no relativo à Natureza, seu curso, fenômenos duração etc. (Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira)

2) Como é possível o conhecimento do futuro?
R ▬ No mundo espiritual, o espaço e a duração não existem para os Espíritos. Contudo, a extensão e a penetração da vista são proporcionadas à sua depuração e à elevação que alcançaram na hierarquia espiritual.

Para o Espírito desencarnado, os acontecimentos não se desenrolam sucessivamente, mas simultaneamente. O Espírito vê, de relance, o começo e o fim do período. Desta forma, todos os eventos que, nesse período, constituem o futuro para o homem da Terra são presente para ele, que, por esta razão, poderia nos dizer que tal coisa acontecerá em tal época.

3) Por que, então, o futuro nos é infenso?
R ▬ Porque o conhecimento do futuro, tanto quanto a lembrança do passado, poderiam ser prejudiciais à nossa evolução espiritual. Esse conhecimento poderia nos travar o livre-arbítrio, prejudicando-nos o trabalho que nos cumpre executar no bem. O desconhecimento do bem e do mal com que toparemos na vida constitui o verdadeiro teste do nosso progresso.

4) Há futuro para Deus?
R ▬ Para o Criador, o tempo não existe. Tanto o princípio quanto o fim do mundo lhe são presente. Nessa linha de raciocínio, que é a duração da vida de um ser humano, de uma geração, de um povo?

5) Se o futuro nos é infenso, qual a razão dos videntes?
R ▬ Deus, na infinita bondade, permite que conheçamos o futuro, desde que para isso haja um fim útil e necessário. Não deve ser simples questão de curiosidade.

6) Como se dá a manifestação do futuro?
R ▬ Pelo êxtase, pelo sonambulismo e pela fotografia do pensamento. Explicação: a encarnação amortece a manifestação do espírito, sem, contudo eliminá-la por completo, porque a alma não fica encerrada no corpo como numa caixa. De acordo com sua capacidade, pode penetrar mais ou menos nas questões do futuro.

7) É possível prever o futuro do Espiritismo?
R ▬ Sim. Os Espíritos dizem que haverá um triunfo próximo, apesar dos obstáculos. A previsão se torna fácil porque é obra deles. Acrescentam, ainda, que tudo aquilo que estiver nos desígnios de Deus, acontecerá. Se aquele que recebeu a missão falhar, outros tomarão o seu lugar, de modo que o fim seja alcançado.

8] Por que razão as predições não têm cunho de certeza?
R ▬ Para a contagem do tempo, precisamos pontos de referência. A contagem varia para cada um dos mundos. Em Júpiter, por exemplo, os dias equivalem a dez horas terrestres e os anos a mais de doze anos.

9) Como os Espíritos procedem em suas predições?
R ▬ Para os Espíritos superiores, suas previsões são advertências. Os Espíritos inferiores que, de tanto serem interrogados, acabam fornecendo datas e lugares, o que pode gerar a mistificação.

10) O que falar das profecias de Nostradamus, do Apocalipse de João e das diversas profecias verificadas ao longo da história da humanidade?
R ▬ O Espírito Emmanuel, em A Caminho da Luz, coloca o Profetismo e o Apocalipse na sua verdadeira dimensão, ou seja, na dimensão da mediunidade. O Espírito Emmanuel retira da obscuridade o simbolismo e nos dá uma interpretação científica, baseada na ascendência do Plano Espiritual sobre as ocorrências históricas.

Bibliografia Consultada:
GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA. Lisboa/Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia, [s.d. p.]
KARDEC, A. A Gênese – Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. 17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1975.

14º-) Reencarnação:

1) Qual o conceito de reencarnação? É possível separar encarnação de reencarnação?
R ▬ Reencarnação (re + encarnação) significa voltar a entrar na carne. A reencarnação é a volta do Espírito à vida corpórea, mas em outro corpo especialmente formado para ele e que nada tem de comum com o antigo. Pode-se falar também que é a doutrina da pluralidade e da unidade das existências corpóreas, isto é, do nascimento ou renascimento de Espíritos tanto na esfera terrena como na de outros planetas.

A diferença entre encarnação e reencarnação, caso fosse necessária, seria esta: a encarnação é ato de o Espírito tomar a carne; a reencarnação, a doutrina do fato. Rigorosamente, a encarnação seria a primeira encarnação do Espírito; a reencarnação, a segunda. E, pelo fato da partícula Re haver perdido a sua força reduplicativa, significaria os demais nascimentos. Observação: Allan Kardec emprega os termos encarnação e reencarnação como sinônimos.

2) As plantas reencarnam? E os animais?
R ▬ Reencarnação é a volta do Espírito em um novo corpo. As plantas não têm consciência de si, elas não pensam, não têm mais do que a vida orgânica. Elas não têm um Espírito, por conseguinte, não há razão para empregarmos o termo reencarnação quando nos referirmos a elas.

Os animais, ao contrário, possuem um princípio espiritual, que tem individualidade e sobrevive ao corpo. Mesmo não tendo consciência de si, podemos usar o termo reencarnação, pois essa individualidade, em atendimento à lei de evolução, pode tomar outros corpos.

Pergunta 597. Pois se os animais têm uma inteligência que lhes dá certa liberdade de ação, há neles um princípio independente da matéria?
▬ Sim, e que sobrevive ao corpo.

Pergunta 597A. Esse princípio é uma alma semelhante à do homem?
▬ É também uma alma, se o quiserdes; isso depende do sentido em que se tome a palavra; mas é inferior à do homem. Há entre a alma dos animais e a do homem tanta distância quanto entre a alma do homem e Deus. (Kardec, 1995)

3) Podemos reencarnar em outros mundos? O que acontece com o perispírito?
R ▬ Sim. Baseando-nos na teoria da pluralidade das existências e dos mundos habitados, o Espírito pode reencarnar em qualquer um desses mundos. Emigrando da Terra, o Espírito deixa aí o seu invólucro fluídico (perispírito) e forma outro apropriado ao mundo onde vai habitar.

Pergunta 187. A substância do perispírito é a mesma em todos os globos?
▬ Não; é mais eterizada em uns do que em outros. Ao passar de um para outro mundo, o Espírito se reveste da matéria própria de cada um, com mais rapidez que o relâmpago. (Kardec, 1995)

4) Qual o limite da encarnação?
R ▬ O limite da encarnação é a perfeição do Espírito. Enquanto não o conseguir, fará tantas encarnações quantas forem necessárias, pois a benevolência de Deus é infinita. Importa-nos aproveitar bem esta encarnação.

Pergunta 186. Há mundos em que o Espírito, deixando de viver num corpo material, só tem por envoltório o perispírito?
▬ Sim, e esse envoltório torna-se de tal maneira etéreo que para vós é como se não existisse; eis então o estado de Espíritos puros.

Pergunta 186A. Parece resultar daí que não existe uma demarcação precisa entre o estado das últimas encarnações e o do Espírito puro?
▬ Essa demarcação não existe. A diferença se dilui pouco a pouco e se torna insensível, como a noite se dilui ante as primeiras claridades do dia. (Kardec, 1995)

5) Quais são os objetivos da encarnação dos Espíritos?

• Expiação — Expiar significa remir, resgatar, pagar. A expiação, em sentido restrito consiste em o homem sofrer aquilo que fez os outros sofrerem, abrangendo sofrimentos físicos e morais, seja na vida corporal, seja na vida espiritual.

• Prova — Em sentido amplo, cada nova existência corporal é uma prova para o Espírito. A prova, às vezes, confunde-se com a expiação, mas nem todo sofrimento é indício de uma determinada falta. Trata-se freqüentemente de simples provas escolhidas pelo espírito para acabar a sua purificação e acelerar o seu adiantamento. Assim, a expiação serve sempre de prova mas a prova nem sempre é uma expiação.

• Missão — A missão é uma tarefa a ser cumprida pelo Espírito encarnado. Em sentido particular, cada Espírito desempenha tarefas especiais numa ou noutra encarnação, neste ou naquele mundo. Há, assim, a missão dos pais, dos filhos, dos políticos etc.

• Cooperação na Obra do Criador — Através do trabalho, os homens colaboram com os demais Espíritos na obra da criação.

• Ajudar a Desenvolver a Inteligência — a necessidade de progresso impele o Espírito às pesquisas científicas. Com isso a sua inteligência se desenvolve, sua moral se depura. É assim que o homem passa da selvageria à civilização.

6) Há diferença entre reencarnação e palingenesia?
R ▬ A palavra palin significa “novamente”, “outra vez”, “de volta”. Palingenesia é o suposto regresso à vida, depois da morte real ou aparente. A palingenesia – não é apenas reencarnação –, pois não se aplica somente à vida orgânica. Em O Livro dos Espíritos, há uma constante afirmação de que tudo se encadeia no Universo.

Final da pergunta 540 — “É assim que tudo serve, tudo se encadeia no Universo, desde o átomo primitivo até o Arcanjo, pois ele mesmo começou pelo átomo”. (Kardec, 1995) A reencarnação, por seu turno, refere-se à vida orgânica, principalmente a vida humana.

7) É possível provar a reencarnação de um Espírito? Como?
R ▬ Sim. O Dr. Ian Stevenson, diretor do Departamento de Psiquiatria e Neurologia da Escola de Medicina da Universidade de Virgínia, nos Estados Unidos da América, catalogou mais de 2.000 casos, principalmente de crianças, que espontaneamente manifestavam as suas recordações. Tomou, contudo, o cuidado de enfatizar que eram “casos sugestivos de reencarnação” e não a reencarnação propriamente dita. Tendo em mãos o relato das recordações, partia para as pesquisas em cartório de registros civis, jornais e pessoas que tinham convido com esse Espírito numa encarnação passada. (Stevenson, 1971)

8] Como interpretar a frase: “Aquele que não nascer de novo não pode ver o reino de Deus”?
R ▬ Esta frase comporta duas posições:

1.ª) Refere-se à reencarnação, pois quem não nascer de novo (entrar em outro corpo) não pode ver o reino de Deus. Ou seja, há necessidade de várias encarnações para podermos acrisolar o nosso espírito imortal.

2.ª) “Nascer de novo” pode referir-se à mudança comportamental, em que somente adquirindo novos hábitos de conduta, podemos vislumbrar um outro mundo, o mundo espiritual.

9) A partir de quando o cristianismo deixou dar crédito à reencarnação?
R ▬ Até o Concílio de Nicéia, em 325, quando o imperador Constantino esforçou-se por fazer condenar esta crença, pois tinha muitos pecados na consciência, a reencarnação era norma vigente. São Justino fala, inclusive, que “a alma habita mais de uma vez um corpo humano”.

Só em 543, no V Concílio Ecumênico de Constantinopla, sob a pressão do imperador Justiniano, é que o anátema foi lançado pela Igreja, sobre certo número de proposições de Orígenes acerca da reencarnação:

“as almas podiam voltar à Terra por cansaço da contemplação divina ou esfriamento do amor de Deus, e que eram reenviadas para os corpos como castigo”. O reencarnar por amor ao próximo não foi excluído. (Crolard, 1979)

11) A reencarnação é um dos princípios fundamentais do Espiritismo? Por quê?
R ▬ Se Deus não existisse, teríamos de criá-lo. Do mesmo modo, se a reencarnação não existisse, teríamos de inventá-la. Sem a reencarnação, como poderíamos responder às seguintes questões: Por que uns nascem sãos e outros doentes? Por que uns são inteligentes e outros ignorantes? Por que uns são ricos e outros pobres?

Bibliografia Consultada:
CROLARD, Jean-Francis. Renascer Após a Morte. Tradução de Antonio Manuel de Almeida Gonçalves. Europa-América, 1979 (?)
KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed. São Paulo: Feesp, 1995.
PAULA, J. T. Dicionário Enciclopédico Ilustrado de Espiritismo, Metapsíquica e Parapsicologia. 3. ed. São Paulo: Bels, 1976.
STEVENSON, I. 20 Casos Sugestivos de Reencarnação. São Paulo, Difusora Cultural, 1971

15º-) Romance Mediúnico Espírita:

1) O que se entende por romance?

• Enredo de coisas falsas ou inacreditáveis.

• Narração verdadeira ou falsa, escrita em prosa ou verso.

• Objeto imaginário; fantasia; urdidura fantástica do espírito.

• Narrativa de fatos imaginários dispostos com verossimilhança, formando uma história fictícia.

• Objeto imaginário; fantasia; urdidura fantástica do espírito. Há, ainda, o romance de costumes, o romance didático, o romance épico e o romance familiar (Psicanálise). (1)

2) O que se entende por romance mediúnico?
R ▬ O móvel dos romances espíritas é a propaganda da Doutrina por meio suave e convidativo, tributando os Instrutores Espirituais grande apreço a essas obras, por julgá-las imensamente úteis em virtude dos exemplos vivos oferecidos aos leitores.

O Espírito Adolfo Bezerra de Menezes, em Dramas da Obsessão, classifica os romances espíritas de similares das parábolas messiânicas, visto serem eles extraídos da vida real do homem, enquanto as parábolas igualmente foram inspiradas ao Divino Mestre pela vida cotidiana dos galileus, dos judeus e de suas azáfamas diárias. (2)

3) Todo romance mediúnico é romance espírita?
R ▬ Não. Para que um romance mediúnico seja cognominado romance espírita é preciso que o teor de seus relatos, fictícios ou verdadeiros, ajustem-se aos imperativos do corpo doutrinário do Espiritismo. Sem esse cuidado, os romances acabam entrando no rol do Espiritismo, prejudicando o bom entendimento dos princípios fundamentais da Doutrina Espírita. Neste particular, temos que diferenciar aqueles eminentemente anímicos, em que a maioria das informações saiu da cabeça do próprio médium, e aqueles em que houve um empenho intenso do Espírito comunicante.

4) Como nos portarmos diante de um romance?
R ▬ Num romance há o aspecto emotivo, o aspecto histórico e o aspecto doutrinário. É preciso buscar, em cada uma dessas leituras, a instrução doutrinal. Os que estão sendo introduzidos no Espiritismo, através do romance, ainda terão alguma dificuldade para discernir esses aspectos. Aqueles, porém, que já estão inseridos nas práticas espíritas, tem de primar pela divulgação correta dos princípios espíritas.

5) Que tipo de erro é mais freqüente na leitura de um romance?
R ▬ É transformar em universal o que é particular. O fato narrado pode ser verdadeiro; ele não tem, contudo, o poder de se tornar geral. O rigor drástico, em muitos deles, para com a lei de ação e reação não necessariamente é uma tese geral. Há muitos atenuantes e agravantes que estão muito além do fato narrado.

6) Que críticas podemos fazer aos romances?
R ▬ Em muitos romances há o abuso de descrições minuciosas de crimes hediondos cometidos pelos personagens, ou de abusos de poder, desfilando em páginas e mais páginas imagens sanguinolentas e brutais. Há, também, casos em que as informações prestadas pelos autores espirituais estão em desacordo com os registros históricos. (3) No site Orientação Espírita: o Espiritismo iluminando a vida (http://www.orientacaoespirita.org/index.htm), há a crítica literária de diversos livros espíritas.

7) Quais são os cuidados do médium psicógrafo?
R ▬ Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, chamou a nossa atenção para as conseqüências do médium fascinado, que dá guarida aos Espíritos brincalhões, pseudo-sábios, mistificadores e interessados unicamente em combater o Espiritismo. Ele diz:

“A fascinação tem conseqüências muito mais graves. É uma ilusão produzida pela ação direta do Espírito sobre o pensamento do médium e que, de certa maneira, lhe paralisa o raciocínio, relativamente às comunicações. O médium fascinado não acredita que o estejam enganando:

O Espírito tem a arte de lhe inspirar confiança cega, que o impede de ver o embuste e de compreender o absurdo do que escreve, ainda quando esse absurdo salte aos olhos de toda gente. A ilusão pode mesmo ir até ao ponto de o fazer achar sublime a linguagem mais ridícula.

Fora erro acreditar que a este gênero de obsessão só estão sujeitas as pessoas simples, ignorantes e baldas de senso. “Dela não se acham isentos nem os homens de mais espírito, os mais instruídos e os mais inteligentes sob outros aspectos, o que prova que tal aberração é efeito de uma causa estranha, cuja influência eles sofrem”. (4)

Bibliografia Consultada:
(1) GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA. Lisboa/Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia, [s.d. p.]
(2) EQUIPE DA FEB. O Espiritismo de A a Z. Rio de Janeiro: FEB, 1995.
(3) http://www.orientacaoespirita.org/critica.htm
(4) KARDEC, A. O Livro dos Médiuns ou Guia dos Médiuns e dos Doutrinadores. São Paulo:Lake, [s.d.p.], capítulo 23, item 239, p. 228.